Conviver com animais de estimação ajuda autistas

Conviver com animais de estimação em casa - seja cachorro, gato, coelho ou qualquer outro bicho - ajuda crianças e adolescentes com autismo a melhorarem a capacidade de se relacionarem com outras pessoas. É o que revela uma nova pesquisa da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, que foi publicada no periódico Journal of Autism and Developmental Disorders.

O estudo se baseou em entrevistas com os familiares de setenta crianças e adolescentes autistas de 8 a 18 anos. Cerca de 70% dessas famílias tinham cães em casa e 50% tinham gatos. Alguns participantes também criavam outros animais, como coelhos, roedores, pássaros e peixes.

Os pesquisadores perguntaram aos familiares dos jovens como era a interação social de cada um, como se eles costumavam se apresentar para desconhecidos, pedir informações ou responder a perguntas de outras pessoas. "Autistas normalmente encontram dificuldade com esse tipo de inteiração social", diz a coordenadora do trabalho, Gretchen Carlisle, do Centro de Pesquisa sobre Relações entre Humanos e Animais da Universidade de Missouri.

Segundo os resultados, conviver com qualquer bicho de estimação em casa promove uma melhora nesse sentido. Porém, os cães, especialmente os de menor tamanho, parecem ser os bichos que trazem maior benefício a crianças e adolescentes com o distúrbio.

"As crianças com autismo nem sempre conseguem se relacionar com outros indivíduos facilmente, mas ter um animal em casa pode fazer com que ela se sintam mais à vontade para conversar com outras pessoas sobre o seu bicho de estimação, por exemplo" diz Gretchen.

BEBES

O efeito: Bebês que convivem com cães e gatos, mas especialmente com cachorros que passam mais tempo dentro do que fora de suas casas, são mais saudáveis e precisam tomar menos antibióticos do que crianças que não têm contato com esses animais.

A prova: Entre 2002 e 2005, pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental decidiram acompanhar 397 crianças desde seu nascimento até elas completarem um ano de vida. O objetivo era saber se cães ou gatos em casa interferem de alguma maneira na saúde dos bebês. Um ano depois, a equipe descobriu que o contato com os animais, mas principalmente com cães, está relacionado a menos casos de infecções respiratórias em crianças e também a uma menor necessidade de o bebê tomar antibióticos. O maior efeito protetor foi observado entre crianças que conviviam com cães que passavam parte ou todo o tempo no interior das casas. 

MULHERES GRÁVIDAS

O efeito: Gestantes que têm um cachorro de estimação são mais propensas a atingir os níveis de atividade física recomendados para elas. Consequentemente, elas chegam mais perto do que as outras gestantes de ter uma gravidez saudável, evitando problemas relacionados ao excesso de peso.

A prova: Certa vez, cientistas da Universidade de Liverpool, Inglaterra, resolveram estudar os fatores que levam as gestantes a praticarem atividade física. Para isso, a equipe se baseou nos dados de mais de 11.000 mulheres que estavam na 18ª ou na 32ª semana de gravidez e levou em consideração uma série de informações sobre elas, como peso, altura, quanto tempo de lazer usufruíam por dia e se tinham algum animal de estimação. A conclusão da análise revelou que as mulheres que tinham um cachorro apresentavam uma chance 50% maior de atingir a recomendação de 30 minutos de caminhada rápida ao dia. O estudo também descobriu que um simples passeio com o cão apenas uma vez por semana gera efeitos positivos na saúde da mulher grávida.  

PESSOA COM AUTISMO

O efeito: A chegada de um animal de estimação na casa de uma pessoa autista faz com que ela passe a ter um melhor relacionamento com outras pessoas.

A prova: Especialistas do Hospital de Brest, na França, acostumados a atender crianças e adultos com autismo, resolveram fazer um estudo para descobrir de que forma um animal de estimação pode impactar o comportamento desses pacientes. Depois de avaliarem 260 autistas - tanto adultos quanto crianças -, os pesquisadores concluíram que as pessoas com a síndrome que passam a a ter algum animal de estimação a partir dos 5 anos de idade apresentaram melhora em alguns aspectos específicos do comportamento social: elas se sentiam mais confortáveis e se mostravam mais solidárias quando se relacionavam com outras pessoas do que pacientes que nunca tiveram um animal. O efeito, embora tenha ocorrido, não foi tão forte nos casos em que o indivíduo conviveu com animais desde que nasceu.